O preço não está no seu produto. Está no seu nome.

Nathan Mastrangeli · 24 de jun de 2026 · 2 min

Você não pagaria mil dólares por um tijolo de obra. Eu também não. Mas alguém pagou, e o motivo não tem nada a ver com o tijolo. Tem a ver com quem estava assinando ele.

Em 2016 a Supreme botou à venda um tijolo de construção. Vermelho, comum, igual ao que segura qualquer parede. A única diferença era o logo na lateral. Custava 30 dólares, esgotou em minutos, e no dia seguinte estava no eBay por 225. Os mais caros bateram em mil.

Interior de uma boutique de alto padrão

Por que o mesmo objeto vale 30 vezes mais?

O instinto diz que o cliente compra o objeto. Está errado. O que ele comprou ali não foi o tijolo, foi o logo. Isso tem nome: capital simbólico. A marca virou o ativo, e o produto virou só o lugar onde a marca encosta.

O mesmo tijolo sem aquele logo vale alguns centavos. Com o logo, mil dólares. Nada mudou na argila. Mudou quem estava assinando. E é esse o ponto que quase todo empresário não enxerga: o valor não nasce dentro do produto, nasce na percepção que existe em volta dele.

Quem decide o seu preço: o produto ou a percepção?

Quem decide o preço não é o que você fabrica, é o significado que você construiu. A Supreme passou anos engenheirando escassez e desejo, e quando isso amadurece a marca passa a carregar o preço sozinha.

A prova veio depois, em escala de balanço: a mesma marca foi comprada por 2,1 bilhões de dólares em 2020 e revendida por 1,5 bilhão em 2024. Bilhões por um nome. O produto é o de menos. O ativo é a assinatura.

Fachada sóbria de uma boutique de alto padrão

Dá para fazer isso no seu negócio?

Aqui entra o contraponto honesto, porque isso não se decreta. Sem produto que entrega e sem anos de posicionamento consistente, logo estampado em tijolo continua sendo só tijolo. Capital simbólico é construído, não anunciado.

Mas o recado é direto: antes de reformar o que você vende, pergunte quanto vale o seu nome em cima dele. Posicionamento não é o enfeite que se coloca no fim. É o que decide se o cliente discute o seu preço ou paga sem pestanejar. É aí que mora o dinheiro que ninguém vê.

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Perguntas frequentes

Isso só funciona para marca de luxo ou de hype?+

Não. Vale para qualquer negócio cujo cliente decide por percepção, o que é quase todo negócio. O luxo apenas deixa o mecanismo visível e exagerado. O princípio é o mesmo numa consultoria, numa clínica ou numa marcenaria.

Marca como ativo é a mesma coisa que ter um logo bonito?+

Não. Identidade visual é como a marca parece. Capital simbólico é o significado que ela carrega, construído por desejo, escassez e consistência ao longo do tempo. Um logo bonito sem isso continua sendo um produto comparável.

Por onde eu começo a construir isso?+

Por um produto que realmente entrega, somado a anos de posicionamento coerente. Não existe atalho, existe método: definir o que você significa, para quem, e repetir isso com disciplina até a percepção grudar.

Referências

  1. Retail Dive: o tijolo da Supreme a US$30 esgotou em minutos.
  2. The Outline: revenda de US$225 a US$1.000 no mercado secundário.
  3. Retail Dive: a VF compra a Supreme por US$2,1 bilhões (2020).
  4. Retail Dive: a VF revende a Supreme por US$1,5 bilhão (2024).

Esse tipo de leitura, aplicado ao seu negócio.

A Mastrangeli Co. trabalha posicionamento, marca e growth com mentalidade de dono, para poucos clientes por vez.

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